um logotipo à deriva…

A tarefa: um logotipo para o CURURUAR.
O desafio: como chegar à síntese visual, num projeto que envolve um barco-câmera-obscura e que, no entanto, é muito mais do que isso? Como ir além da indispensável figura do barco, tão forte e hipnótica, em torno da qual tudo parece orbitar?

Diante da inquietude, uma viagem se anunciou.

Rio Cururu… onde fica? Qual a forma de seu trajeto no mapa?

Numa consulta aos oráculos virtuais, o google nos trouxe um mapa detalhado do rio. Porém, num olhar mais atento, o estranhamento. Se o rio está localizado na Ilha do Marajó, onde estaria o oceano? Cururu errado: aquele rio que atravessa os estados do Amazonas e Pará não era o Cururu marajoara.

No oráculo dos espaços do mundo, o google maps, nova busca: Rio Cururu, Pará. O retorno: rio Cururu-Açu, sul do Pará, quase divisa com Mato Grosso, em Jacareacanga…

Diante das tentativas frustradas de investigação geográfico-virtual, um salto de paraquedas. Ilha do Marajó na mira, queda livre pelos algoritmos do google maps. Ao nos aproximarmos do alvo, um cenário limpo, muito diferente dos mapas dos grandes centros urbanos, cheios de ruídos visuais – ruas, avenidas, estradas, construções e todo tipo de representações gráficas denunciando a densidade de sua ocupação.

Na ilha marajoara, a proximidade visual no mapa parecia indicar uma espécie de aridez: apenas os azuis oceânicos a contornar e se infiltrar pelas protuberâncias terrestres. O inverossímil da representação gráfica saltava aos olhos: uma selva viva e inteira cabia no deserto verde-água da tela do computador.

Em busca de algum sinal do rio em meio à lisura gráfica, uma visão mais fotográfica proporcionada pelo modo satélite do google causou surpresa: nuvens esparsas, o verde escuro sujo da mata, o oceano em azuis diversos e… rios MARRONS(!) A cor dos sedimentos da água doce dos rios estava registrada naquela terra virtual. Não era o azul oceano que invadia a floresta, mas a ilha marajoara era quem pulsava e desaguava sangues terrosos no azul salgado.

A fascinação aumentou ao se perceber a semelhança entre os veios dos rios representados no mapa e os veios das folhas presentes naquele verde-floresta. A geografia das folhas, dos verdes, a pulsão dos rios – tudo eram sinuosidades e abundâncias e, paradoxalmente, tudo era também aridez, tanto maior a proximidade do local no google. O isolamento e a baixa densidade demográfica da região eram visivelmente apontados no mapa, assim como a exuberância da natureza local, que bem poderia ser sinalizada pelas formas escultóricas do esqueleto de uma folha.

A síntese se desenhava.

O barco-câmera-obscura, o balanço das águas acastanhadas cercadas de floresta, a fluidez dos afetos nas relações humanas tecidas pelo projeto. Um logotipo viajante a CURURUAR pelos sinuosos caminhos marajoaras. Um mundo a abraçar, um logotipo à deriva…

Um outro Cururu no site do IBGE: http://loja.ibge.gov.br/rio-cururu-ed-1982.html

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