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“A nossa luz daqui é o nosso motorzinho”

 

 

Lucival Oliveira Nogueira, mais conhecido como Ci, é um marajoara como a maioria: vaqueiro, pescador, caçador e atualmente atua como barqueiro. Pilotando o barco, ele tem a oportunidade de navegar os rios de Chaves conduzindo passageiros, levando e trazendo notícias, cartas escritas à mão, alimentos e as mais variadas encomendas.

Nesse ir e vir, Ci encontrou a Fotografia. Depois de adquirir sua primeira câmera, chamada carinhosamente de “pretinha”, surgiram as primeiras encomendas para fazer retratos 3×4, utilizados por seus proprietários para emissão de documentos.

No Cururu, entre outras coisas, ainda não há distribuição de energia elétrica, fazendo com que geradores, em sua maioria motores a diesel, sejam responsáveis pela iluminação noturna local. Essa realidade gera uma característica arcaica no que diz respeito aos dispositivos tecnológicos presentes na região. Não havendo, por exemplo, a existência de artefatos que imprimam fotografias. Por esse motivo Ci carrega os retratos consigo, até encontrar a cidade mais próxima onde possa imprimi-los

Aliando a produção dos retratos a sua vida de barqueiro, Ci tornou-se uma espécie de fotógrafo oficial do lugar.